03/08/2009 às 13:22h

MASTITE
Como já destacamos anteriormente a mastite causa grandes perdas econômicas para toda cadeia produtiva.
A mastite não pode ser eliminada do nosso meio, infelizmente ela está presente no mundo inteiro.
Ela pode ser controlada ou amenizada, pôr este motivo é importante juntamente com um veterinário adotar um plano de controle, saber a influência dos equipamentos na mastite e seu efeito na qualidade do leite.
PLANO DE CONTROLE
Diversas recomendações existentes podem e devem ser colocadas em prática. A seguir iremos descrever as recomendações do Conselho de Mastite dos EUA, descritas no Livro “ COUNTER ATTACK , A Estratégia do Combate a Mastites” de By W.Nelson Fhilpot, PHD e Stephen C. Nickerson, PHD.
HIGIENE CORRETA NA ORDENHA.
O principal objetivo na hora da ordenha é ordenhar tetos limpos e secos.
Utilizar uma quantidade mínima possível de água ou solução sanitizante para limpeza dos tetos, que devem ser secados pôr completo com toalhas descartáveis pôr vaca.
Outro procedimento é a utilização do pré-dipping, banhar os tetos no produto, observar um tempo mínimo de contato e a secagem do teto.
UTILIZAÇÃO DE EQUIPAMENTOS ADEQUADOS PARA A ORDENHA
O produtor deve se esforçar para ter na sua propriedade ordenhadeiras simples e funcionando corretamente.
A ordenhadeira deve fornecer um nível de vácuo estável de 11 a 12” HG (37 a 41 Kpa/275 a 300 mm/HG) pôr teteira durante o pico de vazão do leite.
Evitar a recolocação, ajustes ou deslocamentos das teteiras durante a ordenha e deve cortar o vácuo antes da retirada do conjunto de teteiras.
“ DIPPING ” DAS TETAS DEPOIS DA ORDENHA
Alguns microorganismos da mastite inevitavelmente são transferidos durante a ordenha, mesmo com as melhores condições de higiene.
Para destruir estes microorganismos restantes nos tetos ao final da ordenha se faz a higiene pós ordenha.
O procedimento mais usado é a utilização de um desinfetante ou antiséptico nos tetos após a retirada do conjunto de teteiras.
Muitas pesquisas tem sido feitas com relação a este procedimento e verificou-se que pode reduzir a taxa de novas infecções em mais de 50%, se usados corretamente juntamente com os outros do plano de controle que estão em questão.
TRATAMENTO DE VACA SECA
O tratamento de todos os quartos de cada vaca seca com produtos especiais para esse fim são recomendados.
Este tratamento deve ser no final da lactação da vaca e são comprovados a redução dos casos de mastite nas próximas lactações.
TRATAMENTO DOS CASOS CLÍNICOS
Através da rápida verificação de casos de mastite clínica, iniciar o tratamento recomendado pelo veterinário imediatamente.
Manter uma ordem nos registros dos tratamentos para consultas posteriores.
DESCARTE
As vacas que não respondem ao tratamento e com insistência continuam sendo infectadas, devem seguir para outro ambiente.
Sua presença no rebanho pode infestar outras vacas e seu descarte deve ser considerado.
Lembre-se os 6 pontos do plano de controle da mastite são:
Higiene correta da ordenha
Correto funcionamento da ordenhadeira
Tratamentos dos casos clínicos
Dipping das tetas
Tratamento de vaca seca
Descarte
DEFESA NATURAL DA TETA
Os tecidos que circundam o canal da teta formam uma barreira natural contra mastite, que é causada pôr microorganismos.
Após a ordenha limita-se a penetração das bactérias para o interior da teta, o músculo esfinter que circunda o canal da teta mantém fechado/apertado.
Este canal permanece dilatado pôr 1 ou 2 horas após a ordenha, pôr este motivo recomenda-se alimentação após a ordenha para manter as vacas em pé, dando tempo para o músculo fechar.
Existe uma substância viscosa na parede interior da pele do canal do teto que chama-se queratina.
Ela obstrui parcialmente a abertura da teta e serve de barreira física. Ela obstrui completamente o canal da teta entre 2 e 3 semanas depois da secagem da vaca, inibindo a penetração de bactérias.
Para que o teto se mantenha saudável, deve haver um correto funcionamento e manutenção da ordenhadeira como higiene, nível de vácuo, relação de pulsação
adequada ao tempo de ordenha e correta remoção do conjunto de teteiras.
A prevenção dos tecidos protetores na ponta do teto são muito importantes, pois as bactérias que estão presentes no canal da teta podem ter ajudas mecânicas para entrarem no interior do quarto.
A IMPORTÂNCIA DA HIGIENE
A higiene pode ser definida como medicina preventiva, é o resumo de todos os esforços no controle do ambiente das vacas reduzindo o número de bactérias que dispõe a mastite.
A prevenção de novas infecções tem sido fatores de sucesso neste controle e para dificultar a transmissão necessitamos manter as tetas com um mínimo de
microorganismos possíveis, já que as vacas vivem e produzem num ambinete contaminado.
A transmissão entre uberes pode ser reduzida e consequentemente a redução de novas infecções.
A maioria das transmissões ocorre durante a ordenha, pelo equipamento, mãos do perador, panos e esponjas passadas no ubere e na ordenhadeira.
Outras transmissões ocorrem no intervalo entre ordenhas (ambiental).
A DESINFECÇÃO DAS MÃOS
As mãos são importantes meios de transmissões na hora da ordenha. Podem ser contaminadas na extração dos primeiros jatos , ao manejar as teteiras, ao soltá-las, ou quando se toca algum objeto contaminado durante a ordenha.
Estudos comprovaram que 50% dos casos de contaminação das mãos do operador acontecem antes da ordenha, e que aproximadamente 30% das mãos estavam com uma limpeza segura após serem lavadas.
O uso de luvas de borracha e sua imersão num desinfetante suave, antes de manejar cada vaca, tem sido utilizados e reduzem a transferência das bactérias pelas mãos.
MASTITE X QUALIDADE E COMPOSIÇÃO DO LEITE
Os consumidores estão mais exigentes e proporcionar um produto de qualidade é uma necessidade.
O aumento na contagem total das bactérias está sempre relacionado aos números de organismos que não são destruídos pela pasteurização.
As fontes mais comuns é a limpeza inadequada das ordenhadeiras, resfriadores, pele dos tetos e secagem insuficiente dos tetos antes da ordenha.
Evitando as contaminações iremos reduzir a mastite e melhorar a qualidade e o tempo de armazenamento do leite.
As indústrias depositam muita confiança nos processos de pasteurização e no resfriamento do leite para reduzir a crescimento das bactérias e até misturas de leite de alta qualidade com leite de baixa qualidade.
Mas acima destes pontos está o início do processo que é dentro da propriedade, produzir leite de qualidade vai beneficiar indústria e produtores, pelo aumento do consumo de produtos lácteos.
Algumas pesquisas tem comprovado que o leite com um baixo número de células somáticas após pasteurização tem aumentado seu prazo de armazenamento comparado com o leite com alto número de células somáticas.
Os efeitos da mastite subclínica na qualidade da composição e do
processamento do leite:
Redução da lactose entre 5% a 20%
Redução superficial de proteínas
Redução de caseínas entre 6% a 18%
Aumento de imunoglobulinas
Aumento do ranço (lipase)
Aumento do sódio
Aumento de cloretos
Leve aumento de minerais
Redução do poder de coalho
Redução na gordura de 5% a 12%
Redução na constância da fermentação
Redução de sólidos não gordurosos acima de 8%
Redução no total de sólidos entre 3% a 12%
Redução do cálcio
Redução de fósforo
Redução de potássio
INFLUÊNCIA DA ORDENHA NA MASTITE
A ordenha em muitos casos é considerada um mal necessário, pois é difícil produzir leite economicamente sem ela. Mesmo onde não existe problema quanto a mão-de-obra ele é necessária para manter a qualidade do leite.
As ordenhadeiras tem sido elogiadas pela sua praticidade e economia, mas também vem sendo apontada como causadora da mastite e de prejudicar a qualidade do leite.
Sem dúvida o seu mal dimensionamento, na utilização e a falta de higiene causam problemas em muitas propriedades.
Cada vez mais estamos obtendo maiores informações sobre o funcionamento correto da ordenha e como ela funciona nos tecidos vivos (tetos) das vacas e os
fabricantes estão melhorando seu desing e divulgando como usá-la e sua correta manutenção para prevenir a mastite e não alterar a qualidade do leite.
TRANSFERÊNCIA DE BACTÉRIAS
A ordenhadeira pode transferir microorganismos causadores da mastite entre os tetos de vacas diferentes pelos tubos, e também entre os tetos de uma mesma
vaca, (infecção cruzada) através do coletor de um teto infectado para um teto sadio.
Alguns estudos mostraram que as infecções cruzadas são responsáveis de 40% a 50% das novas infecções no rebanho.
Os fabricantes estão desenvolvendo novos coletores para diminuir este efeito, pois os fatores mais importantes que induzem a mastite pelo equipamento é o impacto das gotas e as falhas da pulsação.
IMPACTO DAS GOTAS
O impacto das gotas também conhecido como GPR (Gradiente de Pressão Reversa) ocorre ao existir uma grande flutuação de vácuo quando a teteira está na posição aberta, e minúsculas gotas de leite são jogadas contra a ponta do teto, estas gotas podem penetrar no canal dos tetos causando
infecções, também o deslizamento das teteiras permite a entrada de ar caindo o nível de vácuo não permitindo o fluxo correto do leite ( teteira coletor mangueira de leite). Este leite fica circulando no coletor e teteiras podendo ocorrer a contaminação.
SISTEMA DE VÁCUO
Dos elementos envolvidos na produção de leite de qualidade (vaca, homem, equipamento) a ordenhadeira pôr ser uma máquina é a mais controlável e deve ser instalada ajustada e usada de acordo com as recomendações dos fabricantes para obter o máximo de eficiência.
Todos os componentes da ordenhadeira são importantes e estão interligados e devem funcionar corretamente.
A função da ordenhadeira é retirar o leite do úbere da vaca pelo vácuo parcial nos tetos (teteira aberta) e minimizar o stress nas paredes dos tetos com aplicação da massagem em intervalos regulares (teteira fechada).
O vácuo também tem influência na lavagem do equipamento.
Existem dois níveis de vácuo que devem ser ajustados e monitorados , são o vácuo da linha e o vácuo de ordenha.
Eles são diferentes dependendo do tipo de instalação (Balde ao pé, Linha baixa, Linha alta).
Estudos determinaram que acima de qualquer coisa que a ordenha eficiente se dá quando o nível de vácuo na ponta do teto se mantém estável em 12” mercúrio, durante toda a ordenha.
Para conseguirmos que este nível de vácuo se mantenha estável dependemos do correto dimensionamento, funcionamento e manutenção da ordenhadeira.
NÍVEL DE VÁCUO ALTO
Quando maior o nível de vácuo, maior será a força resultante de ordenha, pois teremos uma menor quantidade de moléculas de ar.
Nível de vácuo alto aumenta a saída do leite e a velocidade da taxa de ordenha e podem aumentar as lesões nos tetos.
As lesões mais freqüentes são a hiperqueratose e aversão ao esfinter, causando lesões a primeira proteção da glândula mamaria.
A congestão dos tetos ocorre devido ao acúmulo de líquidos na ponta do teto como sangue e tecidos internos, ocasionando stress na ponta do teto, redução
do orifício do canal, em conseqüência uma ordenha demorada.
Também poderá ocorrer o aumento do leite residual, pois as teteiras tendem a subir durante a ordenha estrangulando a cisterna do teto, impedindo a passagem do leite.
Nestes casos deve-se verificar se a largura da boca da teteira está de acordo com a média do diâmetro dos tetos do rebanho .
Também se recomenda uma leve pressão pôr poucos segundos sobre o coletor e imediatamente fechar a válvula de vácuo para a retirada da teteira.
Devemos evitar esta prática pois além de condicionarmos o rebanho pode entrar ar, ocorrendo o impacto das gotas.
NÍVEL DE VÁCUO BAIXO
Quando menor o nível de vácuo, maior quantidade de moléculas de ar terá o sistema e portanto uma menor força de ordenha.
A ordenha será mais lenta, devido ao fluxo lento do leite.
Com a menor força de ordenha poderá ocorrer o caimento das teteiras não permitindo o correto acoplamento da teteira nos tetos.
Lembre-se: O vácuo retira o leite do úbere e massageia os tetos.
BOMBA DE VÁCUO
A bomba de vácuo é considerada o coração do equipamento, responsável pela retirada do ar do sistema mantendo o vácuo desejado.
A capacidade da bomba depende do tipo, tamanho, número de teteiras e desing do equipamento.
As normas de dimensionamento americanas recomendam que além de observar o consumo de vácuo de todos os componentes a bomba de vácuo deverá ter uma
reserva de 50% para compensar entradas de ar acidental no sistema, como exemplo uma caída de um conjunto de teteiras.
Já as normas européias também recomendam uma reserva de vácuo porém bem menor que as americanas.
O certo é que a reserva de vácuo se faz necessária e a habilidade da bomba de vácuo para retirar este ar do sistema vai refletir no nível de vácuo, estabilidade e sua manutenção.
A maioria das ordenhadeiras canalizadas não possui um sistema de lavagem com injetor de ar, ele alterna ar e água nas tubulações, e é essencial para uma boa lavagem.
O ar admitido pôr um injetor tem que ser removido pela para que a lavagem seja eficiente.
REGULAGEM DE VÁCUO
A quantidade de ar admitido pôr uma ordenhadeira é variável, pôr este motivo necessitamos de um regulador para manter o nível de vácuo correto. O regulador é considerado o cérebro da ordenhadeira.
Normalmente o regulador estará admitindo ar para dentro do sistema, que será eliminado pela bomba de vácuo.
Esta admissão é chamada de reserva de vácuo, pôr este motivo o regulador deve ser de capacidade igual ou maior que a bomba de vácuo.
O regulador deverá ter sensibilidade para sentir entrada de ar no sistema e fechar rapidamente para manter o mesmo nível de vácuo para avaliação dos reguladores é necessário equipamentos especiais que possibilitam verificar a rapidez e eficiência do regulador. Infelizmente são poucos técnicos no Brasil que estão capacitados para fazer estas avaliações, que poderiam determinar a correta localização e o melhor funcionamento do regulador.
LINHA DE VÁCUO
Numa ordenhadeira balde ao pé a linha de vácuo e a tubulação onde são colocadas as torneiras de vácuo.
No equipamento canalizado a linha de vácuo é dividida entre a linha principal e linha de pulsação.
A linha principal de vácuo é aquela tubulação que sai da bomba de vácuo e vai até o depósito sanitário (aerador, trapp) seu comprimento, diâmetro e desing influenciam na capacidade do sistema de retirara ar na ordenha e na lavagem.
A diferença em todo comprimento da linha não pode ser maior que ½” HG.
A linha de pulsação é a tubulação onde são fixados os pulsadores, seu diâmetro, comprimento e distância dos pulsadores na linha, influenciam na capacidadede retirada de ar entre o copo de inox e a borracha da teteira para fazer a massagem/ordenha, pois existem muitas trocas de ar dentro destas tubulações e toda eficiência pode ser afetada se a flutuação (oscilações) de vácuo na linha de pulsação não for mantida.
SISTEMA DE PULSAÇÃO
A função do pulsador é fazer com que as paredes internas das teteiras abram e fechem.
Quando o pulsador retira o ar entre a parede interna e externa, as teteiras abrem e a ponta do teto fica exposta a um vácuo parcial (fase descida do leite).
A pressão maior dentro do úbere faz com que o leite desça.
O vácuo parcial faz com que o sangue e fluídos corporais se concentrem na ponta do teto, isto ocorre entre 30 e 60 segundos depois que a teteira abre.
O vácuo parcial fecha a teteira (colapso) e massageia os fluídos para fora da ponta dos tetos (fase de massagem/descanso).
O fechamento (colapso) total da teteira deve ser no mínimo de 150 milisegundos, ou 15% do ciclo de pulsação, para não haver o acúmulo dos fluídos (congestão) na ponta do teto e uma ordenha rápida com o mínimo stress.
O padrão é de que o pulsador esteja entre 50/60 batidas pôr minuto.
"Com este capítulo encerramos nosso estudo finalizando o Programa Ordenha Expert GMZ"